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abril 15, 2017

...et les pires cauchemars




O gênio maligno de Hopper não consiste no poder de dissuadir-nos da fragilidade de nossas mais profundas convicções, senão na descontinuidade do tempo. A terceira meditação é bem mais sinistra do que a primeira. O abismo absoluto que separa um momento do outro e que ameaça nossa existência sufocando-a, exprimindo o azeite pelo qual se desliza o tempo. Shirley sabia muito bem disso. O filme retrata de maneira magistral a questão: as imagens são insuportáveis porque o tempo parou em Hopper. Sem continuidade temporal não haveria continuidade para a evidência do Cogito e, pior, como dizia Tournier, não haveria outrem.