Eu o imagino lá numa noite como a de hoje só que fria, a lua soprando por ruas escuras. Ele janta e caminha de volta para o quarto. O rádio está no chão. O mostrador verde luminescente soa baixinho. Ovídio senta-se à mesa; gente exilada escreve tantas cartas. Agora ele está chorando. Toda noite por volta dessa hora ele se agasalha com a tristeza e continua a escrever. Em seu tempo de folga, aprende sozinho a língua local (gético) para compor nela um poema épico que jamais ninguém lerá.
[ Poema de Anne Carson | Falas curtas | 1992 ]
[Fotografia de Balcón del Mundo | Flickr ]
