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outubro 30, 2016

Estela


Estela, nombre
de una luz,
precaria,
que se pierde
en la obscuridad.

Luz,
que ya (te) no distingo,
en medio de la bruma,
de las imágenes empañadas
del recuerdo.

que mis ojos
, de ciego,
ya no tocan.

De cerca
me amenaza,
la noche más obscura.


[Serie borgeana, octubre, 2016]

julho 07, 2016

Ráptame del fin



Ella se colgó del sol,
tenía su antifaz
debía esconderse bien,
aprendió a cazar.
Él se disolvió, para entrar
tanto tiempo que hacia parecer
que es bueno perder.
Ella lo miró de pie
dejó de respirar,
su cara en nubes, vacío estelar.
Él se extremeció, quería hablar
tanta sed y había bebido el mar
ella lo miró, por sus ruidos no escuchó.
Ella intentó decir: "trata de despertar"
de un grito sordo, lo amarró de sal.
Él miró sus pies, y saltó´
tanto espacio que no pudo saber,
que ella lo miró , por ruidos él le gritó.

Ráptame del fin,
llevame a empezar.
Ráptame del fin,
llevame a empezar.

Ella perdonó la luz,
y abrazó la sal
de la sequedad al fin puedo articular.
Él corrió sin ver y se unió
tanto espacio y ahora un solo ser,
ella lo miró, sin ruidos solo escuchó.

Ráptame del fin,
llevame a empezar.
Ráptame del fin,
llevame a empezar.
Sacame del fin
llevame a empezar.

https://www.youtube.com/watch?v=oqAvSwEe4XU


[Pintura: Magritte. Les Amants, 1928]
[Letra: Lucybell, Ráptame del fin]

[PS. Penso obviamente na cena que se sobrepõe à pintura de Magritte. Penso no suicídio retratado de forma magistral numa cena do filme argentino "Hombre mirando al sudeste"].

maio 21, 2016

   Criar um blog acreditando que não iria falar de você. Sempre criamos coisas acreditando. Sempre irei acreditar... E aí acontece que abro as caixas onde estão as linhas, as agulhas e as lembranças voltam, caem algumas lágrimas, me entrego ao pranto que há alguns anos me visita em silêncio. Antes era o Fado, mas meu Destino encontrou-se (confundiu-se) nos mares do Atlântico e agora fala português. Hoje te lembro nas letras de Lucybell. 

    Esse cabelo cacheado e a capacidade de flertar com Lúcifer e seu jogo de luzes. Nunca falamos sobre isso. Nos limitamos a queimar nossa poesia e a ouvir, as vezes, poucas vezes, algumas músicas. Alter ego (desejo desses cabelos cacheados [nossa, agora todos temos cabelos cacheados!]) que transforma traços dessa (qual de todas?) poética em ritmos por todos conhecidos, por ninguém questionados, por ninguém compreendidos. 

Eis a letra:

Sin tu voz me pierdo en la nieve
Sin tu voz me visto de pena
Sin tu voz caliento cual piedra
Sin tu voz me pierdo en la nieve

Siempre he de creer en ti

Sin tu voz soy solo cadenas
Sin tu voz me visto de pena
Sin tu voz detesto esta escena
Sin tu voz soy sólo cadenas

Siempre he de creer en ti

Siempre he de creer en ti
Siempre he de creer en ti


   Essa poética. Marchant insistindo em cada palavra escrita, em cada lapsus, capturando minha errância recente. Me pergunto como Claudio Valenzuela transforma, reitera ou copia Gabriela Mistral. Como esta neve pode ser o silencioso olhar de Deus (Marchant. Sobre árboles y madres, p. 278). Não o êxtase que a identifica, a ela, com a neve, senão o olhar de Deus. O juízo de Deus que, como a neve, congela e traz o espasmo, a culpa, inevitável (Claudia, por que te obriguei a ir embora?, Cl1-Cl2, p. 63). Entretanto, tua voz que sempre me salva volta para me fazer acreditar. No quê? Em o que iria acreditar agora? Sei lá. Há um saber que não posso ter, não sou a árvore que se sabe flor.

   Tua voz, doce como a neve que cai, enquanto cai (distinção de Marchant entre as duas formas da neve). Depois, só a morte, o acúmulo que vira pedras. "... caliento cual piedra" porque no caliento, porque me he transformado en la imagen congelada (de) por la mirada de Dios (Medusa, qué haces aquí?).

    E a cena. Cena que odeio, cena que me constitui, no entanto. Qual cena? Ainda não sei, só sei que sempre hei de crer em você, que sempre irei acreditar...      

[Pintura: Gustav Klimt. Golden Tears


PS: Hipótese: a cena é abrir as caixas. Após a mudança de canto, de casa, de mulher, sempre chega o momento de abrir as caixas

PS2: Maravilhoso conceito de poesia em Abraham e Marchant. Estudar esse conceito (,é) preciso