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março 06, 2025

Melanie: entre o dentista e o divã

 

Da utilidade de se ter a análise perto do consultório dental...

 

"A menos que tenhamos rápido acesso à angustia do paciente e aos afetos que ele manifesta, sobretudo através de uma atitude provocante e negativa na transferência, a análise corre o risco de ser bruscamente interrompida. Com muitos meninos dessa idade pude constatar que eles previam violentos ataques físicos da minha parte, durante as primeiras sessões. 

Willy, por exemplo, de 14 anos de idade, deixou de comparecer à segunda sessão de análise, e somente a muito custo sua mãe conseguiu dissuadi-lo a "dar-me mais uma oportunidade". Durante a terceira sessão consegui provar-lhe que ele me identificava com o dentista. É verdade que ele asseverou não ter medo do dentista. a quem minha figura lhe recordava, mas minha interpretação do material por ele produzido foi suficiente para convencê-lo do contrário, pois demonstrei-lhe que ele receava não só uma extração dentária, mas o despedaçamento de todo o seu corpo. Atenuando sua angústia a esse respeito estabeleci a situação analítica. Posteriormente, ele muitas vezes manifestou uma angústia violenta no decurso da análise, mas sua resistência manteve-se em essência dentro da situação analítica e o tratamento pôde prosseguir" p. 120. 

 

Melanie Klein. Psicanálise da criança.

 [Dedicado à [Analista]]