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fevereiro 08, 2025

Schubert

 
Impromptu in G flat major D899 No.3, Horowitz live in Vienna (1987)


"Quien mejor que él ha sabido decir el fracaso de nuestra vida, su más o menos, y no obstante su insoportable belleza? ¿Quién habla mejor a nuestras decepciones, a nuestras angustias, a nuestras fatigas? Y siempre sin la menor malicia, sin el menor resentimiento, sin el menor rencor (Schubert, por sí mismo, es una refutación de Nietzsche: muestra que la verdadera grandeza no está del lado de la voluntad de poder, sino del lado de la debilidad confesada y perdonada). La rebeldía no es su fuerte, ni tampoco el combate. O bien ya ocurrió el combate, ya se perdió o ganó y eso viene a ser lo mismo. Nada de odio. Nada de cólera. Dolor y dulzura, misericordia y paz. Nuestra vida malograda, fallada, equivocada, es lo que hallamos en Schubert y, al mismo tiempo, la ternura que nos ayuda a soportarla" 

 

André Comte-Sponville, Impromptus, p. 149 - Publicación original en abril de 2017 

novembro 10, 2021

Amour, je promets...



E eu que queria ser um eterno recém-nascido... eterno devorado(r) como o Saturno (ou Saturn's sun?) de Rubens. 
"Prometer continuar apaixonado é se contradizer nos termos. Seria como prometer que teremos sempre febre, ou que seremos sempre loucos. Todo amor que se compromete, no que quer que seja, deve empenhar outra coisa que não a paixão" 
"Primeiro amamos apenas a nós mesmos: o amante se lança sobre a amada como o recém- nascido sobre o peito, como o lobo sobre o cordeiro. Falta: concupiscência. A fome é um desejo; o desejo, uma fome. É o amor que toma, o amor que devora. Eros: egoísmo. Depois, aprendemos (na família, no casal) a amar um pouco o outro por ele mesmo também: alegria, amizade, benevolência. É passar do amor carnal, como diz são Bernardo, ao amor espiritual, do amor a si ao amor ao outro, do amor que toma ao amor que dá, da concupiscência à benevolência, da falta à alegria, da violência à doçura – de erôs a philia"

[Rubens, Saturno (1636)]
[André Comte-Sponville. O pequeno tratado das grandes virtudes]

junho 28, 2016

Good bye, Comte-Sponville

Antes de deixar esse texto, esse Impromptus, algumas palavras. Pouco ambicioso, por vezes maravilhoso e desafiante, irônico e simples, como essa febre que me lembra os descuidos com a gripe, como essa solidão da janela. Delicado como o aroma detalhado do chá, envolvente como o Blue in Green que ouço enquanto olho para a cidade, para as vidas repetidas e aquelas não tanto. Para os mesmos carros e para os acabaram de chegar do Paraguai. Serenidade, ironia, honestidade e amargor de um Lucrécio, Epicuro, Montaigne. Por vezes as lições inesquecíveis de Spinoza e uma divertida incompreensão de Nietzsche.  

As dores de algumas perdas, as dores nas pernas. Enquanto Miles Davis captura um não sei o quê, de eterno, inabalável nessas lembranças. Também, a superficialidade gostosa dessa adolescencia de bares e running que me visita depois dos 30. A vaidade de apreciar como os óculos de sol novos e o cabelo selvagem faziam corar as atendentes da padaria. Selvagem porque não lavei hoje, a febre não o permitiu. Amanhã, cabelo certinho, elas irão olhar diferente. Banalidade do que passa, infinita felicidade de ver as cores nas bochechas, o sorriso charmoso, diferente dos corriqueiros que acompanham nosso divino pão de cada dia. Isso que tantos amigos - desses que conhecemos através dos livros e blogs, e desses que trocam cartas conosco - me ensinaram apreciar. Apreciar e deixar passar. Algum dia essas pernas não irão desbravar as ruas, esses pulmões não terão a força que tiveram a semana passada na última prova de resistência. Bendita advertência dessa febre. Anuncio de futilidade que perpassa essas ideias. 

E para deixar o clima mais interessante, lendo Kant. O Kant da primeira crítica. Com uma febre que excita meus mais especulativos delírios, enquanto ouço o senhor dos limites. Do jogo legítimo da razão. Só para me lembrar que se imagino que esas dores não irão voltar é porque estou delirando, que se acredito que essa juventude será para sempre é porque tenho esperança e que se não paro de beber limonada é porque tenho medo. Delírios que os limites da razão, ou a sabedoria de Bento, transformam em risada e brincadeira. 

Chega de falar, vamos ouvir um pouco do texto com que Sponville volta ao silêncio dessa minha biblioteca tão charmosa e desconhecida. 

"¿Si el reino está en nosotros y si nosotros estamos en el Reino, para qué la fe y la esperanza? Ya nada hay que creer, todo es para ser conocido. Ya nada hay que esperar; todo es para ser amado. Esto concuerda con la lección de los místicos de todos los países. Nâgârjuna, por ejemplo: "Mientras hagas una diferencia entre nirvana y samsâra estás en el samsâra". Mi Cristo interior diría gustosamente lo mismo: "Mientras hagas una diferencia entre el reino y este mundo de dolor, estás en este mundo de dolor". Es la Buena Nueva de los Evangelios, tal como los leo: ya estamos salvados. Pero una nueva singularmente dura: no deja nada por esperar. Que la soporte el que pueda, y apenas podemos. La esperanza es más fácil, la religión es más fácil. Pero "hay que atenerse a lo difícil", como dijo Rilke: esto señala el camino, donde ya estamos, donde avanzamos como podemos, en el cansancio, en el sufrimiento, en la angustia, a vezes [kkkk] en la alegría. Es lo que llamé la sabiduría de la desesperanza, que Cristo llamaría la sabiduría del amor, y por supuesto que tiene razón. Nada que creer, nada que esperar. No hay más salvación que vivir ni más salvación que amar: el reino está aquí abajo; la eternidad, ahora."    

[André Compte-Sponville. Impromptus. Santiago: Andrés Bello, 1999, p.167]
[que saudade de Tu, que me deste este livro!]

[Imagem: Filme, Renoir, 2012]