Tempo, que escorres entre as pedras do jardim. As árvores dizem que voltas. Voltas cada manhã, te afundas com cada chuva. E em cada noite decretas tua reinvenção. Tempo, que escorres entre as pedras do rio. Os peixes dizem que te perdes sem jamais te extinguir. E que nunca deixas de chegar. Por isso, correntezas. Tempo, que escorres nos buracos singelos dos olhos,
dos nossos mortos.
Pintura: Picasso. La comida del ciego, 1903
