O suor se desprende, lento, da testa. Pequenas gotas se formam no chão. Posturas de rigor, alongamento. Ensejo de desistir perto do limite, angústia. Respiração entrecortada. Os nervos a contra-senso, forçados a esticar, queimor insuportável. Dor, leve tremor que aumenta.
O mestre, vagaroso, examina. Passando perto das nossas cabeças, enuncia, baixo: "Faça ficar difícil. Isso é Kung-fu."
Minha boca esboça um sorriso. Percebo naquele momento que estou no lugar certo. Que, em fim, acho o lugar ao qual desde sempre, pertenci. Uma lágrima sai. A dor dos últimos meses revela-se caminho e aprendizado, cura.
De súbito compreendo a frase que em momentos de insuportável angústia pronunciara tantas vezes durante a adolescência. A paz chega.
A respiração volta em calma. Minha bochecha, carinhosa, se apoia em meu joelho. Os prados florescem.
O treino pode iniciar.
