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março 10, 2017

Camino a la escritura



Después de que han pasado casi seis años desde que terminé la tesis, la experiencia de su escritura vuelve como la bruma que se desplaza lenta por el recuerdo de una ciudad, unas lecturas, apuntes y bibliotecas que ya no son más míos. Vuelven como un tiempo recobrado. Tal vez fueran necesarios seis años para encontrar el tiempo de la tesis, para que ésta pudiera abrirse paso más acá de las urgencias para terminar. Tal vez, sin ese tiempo no podría pensar, todavía, en su derrotero escritural. 

Presto para la finalización, decidí, sin querer y de algún modo, que su escritura no acabase y que su tiempo, siempre agónico, siempre agotado, me forzara a volver. ¿Cómo sabré si regresa el tiempo de la tesis? En esta tentativa distante se nos impone la pregunta por el retorno. La propia tesis se confunde con los trazos de esta suerte de (im)posición. La pregunta que inquieta es, pues, la que acompaña a la tesis. ¿Cómo certificar el retorno de lo que no ha dejado de acompañarnos? Tiempo del acompañamiento, ritmo que hace temblar la tentativa a través de la cual la tesis se impone y se sustenta. Desde acá, preguntas que abren camino gracias a nuestras lecturas recientes del filósofo Patricio Marchant. 

Cuando decidí la estructura definitiva de la tesis, omití un capítulo bastante preciso. Justamente aquel que no dejará de acompañarnos a distancia. Interesa, a propósito del problema de la escritura y de cómo esta abre paso, camino, a la tesis, describir el derrotero de trechos que, no publicados, son, sin embargo, los que nos lanzan incesantemente sobre la tesis, como si ella, en su tentativa de posicionarse, no dejase de hacernos temblar, recobrar o retornar.

El vocabulario no es inoportuno, pues estas expresiones surgen de la aproximación del filósofo Gilles Deleuze a Proust, cuestión que estudiamos en el capítulo inédito. El eje instituido de la investigación daba cuenta del tránsito que Deleuze realiza entre el problema del hábito en Hume, y la determinación de una filosofía de los principios en Leibniz. Más exactamente, el problema consistía en preguntar por el modo en que el hábito se torna principio. Ahora bien, el hábito requería plantear la cuestión de la repetición y el retorno. Algo vuelve – es recobrado – en este retorno y ello no depende de los datos inmediatos de la repetición ni de las estructuras de reconocimiento subjetivo. Lo que recobramos está en medio y acompaña al propio retorno. En ese horizonte, nos parecía relevante estudiar la manera en que se torna accesible el tiempo recobrado para Deleuze.

Siguiendo el rastro de aquellos trechos inéditos y de las cuestiones que reverberan en la escritura de la tesis, intentaremos pensar el tiempo de la tesis y el problema de un retorno que acompaña a esta cuestión. ¿Cómo volver (a pensar) al tiempo de la tesis, si éste no ha dejado de acompañar nuestra escritura?

[Fotografia: Parque San Borja, Santiago de Chile]

outubro 14, 2016

Patricio e Angélica


"Juntos, amándonos, una tarde fuimos abriendo criptas,
hicimos aullar a los muertos"

(Patricio Marchant. Amor de la foto)


[Fotografia: Robert Doisneau, Au café 'Chez Fraisse']

setembro 16, 2016

Amor de arqueiro




"Me matou em outra vida, amor?" perguntou ela.

Sabia dos pesadelos,
dos mortos de cada noite
do rosto difuso e desconhecido
do último respiro, suspiro
das vítimas.

"Apenas uma vez trucidei alguém, as outras só atirei neles"

Qual essa poesia?
Por que esses corpos nas tuas mãos e olhos?
Exatamente onde atiravas, Cneo?

Em fuga, sempre,
aprendestes a arte de atirar em movimento.

Por isso.
Não conheces o rosto
de tuas vítimas.

Mas
O que tem a fazer um pobre homem face à uma mulher genial?

Ela, o olhar.
Ela tem rosto
É o arquetipo de qualquer rosto.

Olhar, colo, um coração a palpitar.
E uma pergunta.
Pergunta de amor, pergunta de medo, pergunta de ódio.

Matei-te em outra vida, por isso,
Agora es minha mãe.
Castigo, ameaça, um rosto e um olhar.

E um coração a palpitar

Amo-te de amor de arqueiro.
Hei de atirar no teu coração.
Como já fiz em outra vida
Farei pela eternidade
de novo.

Hermann queimava suas mães.
Eu atiro nelas.

Medo?
De quê?
Tenho em mãos um segredo.

Mesmo perdido, aguardo
Paciente

Tenho um segredo, um arma.
Um método.
Só atiro uma vez.
Uma vez que se repete pela eternidade.

Amei-te com amor de arqueiro.

Mas
O que tem a fazer um pobre homem face à uma mulher genial?*

Olhaste primeiro.
Prometeste colo e cuidados.



[Fotografia: Alex Bowle, Women of the IRA, Northern Ireland, 1977]
* A frase se inspira no artigo "Qué puede hacer un pobre hombre frente a una mujer genial?", que Patricio Marchant dedica a Gabriela Mistral.

agosto 08, 2016

Marchant. Rascunhos IV. Exceção erguida


APÉNDICE SEGUNDO
EL DOBLE RITMO
(p. 338) 
Recuérdese la teoría de Ferenczi. En el acto sexual, el hombre, idéntico a su sexo, él es su sexo, se introduce en la mujer; generosidad de la mujer, sin su consentimiento no hay acto sexual, insistencia de Groddeck que señalamos; la mujer, entonces, le da, al hombre, la erección, la erección adecuada; esto es, la mujer enamorada siente la erección del hombre como erección para ella. En el acto sexual, entonces, el yo del hombre, su alma, su espíritu, su consciencia se siente orgánicamente, es orgánicamente, su yo es un cuerpo, y necesidad profunda del hombre de sentir asegurado así su ser.
[Patricio, ¿o que aconteceu? ¿Cadê o interesse pelas amantes-mães que iriam cuidar (vigiar na vigília) do teu sono? ¿Agora deixas Hermann e voltas a Ferenczi? ¿As flores te lembraram que há vida para além desse leito de morte onde tuas amantes (ou seja, tuas mães) te protegem, enquanto dormes, dos teus pesadelos?]
Acredito que na lógica de constituição de Sobre árboles y madres, este apêndice tem um papel crítico relevante. Não sei se daria para sustentar uma exceção, um território desconhecido para a teoria do amor da mãe, mas o seguimento cuidadoso do ato sexual parece ameaçar o protagonismo, quase absoluto, atribuído às instâncias post-coitais dentro dessa teoria. O que interessa do amor da mãe-amante é que ela é leito para o homem. Ela, com efeito, ao se oferecer às artes amatórias, se oferece também como colo onde descansar e dormir e, dessa maneira, se oferece como leito arquetípico, ou seja, como leito de morte. Daí sua leitura dos Sonetos de morte de Gabriela Mistral. Entretanto, este apêndice dedicado fundamentalmente a Ferenczi tematiza o que justamente esse leito colocava entre parêntesis: a ereção. O descanso após o coito pressupõe uma suspensão, um parêntese, ou qualquer outra forma (inclusive, as mais definitivas) de negação da ereção. E, no entanto, aqui vemos a um Marchant que dedica uma ode aos desdobramentos orgânicos do homem no ato sexual. Possibilidade de um amor sem mães? Quem sabe. Apesar do papel hegemônico que ocupa essa forma do amor, há exceções notáveis no seu breve percurso escritural. Até onde minha vista me acompanha, podemos elencar algumas: as flores à beira das sendas [pergunto: será que elas são o "modelo" da generosidade? casualidade interessante, pois as flores à beira do caminho fazem o bem sem querer, ou seja, por pura e simples generosidade] e as alunas [Angélica, modelo de um amor que se faz sem a mãe e que, assim, permitiria abrir as criptas, modelo do segredo de mães guardado no leito definitivo]. 


agosto 03, 2016

Rascunhos III. "Soledad Sola" sive Das flores do sendeiro



DESOLACIÓN CINCO
- último nombre -

"Prestado tu nombre, prestado tu tiempo; aquí escribo el fin del plazo, del contrato, de ese préstamo: prestada lealtad, escritura, después –Cecilia. [...] Al día siguiente, encuentro inesperado, tantos meses después, con Soledad Sola; su alegría, profecía sobre ella que vi cumplida –que a veces uno también hace el bien, incluso sin quererlo."

"Fazer o bem sem querer", acredito, seja um assunto mais interessante e, talvez, absolutamente alheio daquele outro que reza: "fazer o bem sem olhar a quem". Este último pressupõe o bem, o instaura como o ponto de partida. O que está em jogo é o sujeito da atribuição... questão de economia. Como se o bem fosse mercadoria digna de distribuição e aqui estivesse em xeque o grande esforço de não decidir, de evitar o inevitável. Tratando-se de bens, distribuir resulta inevitável, mas eis aqui alguém tão bonzinho que até fará par nós os esforço de cobrir os olhos e fazer o bem sem decidir quem será o favorecido. 

Bondade redobrada, dessa vez, bondade justa porque bondade ignorante. 

Mas o que me interessa desta frase de Marchant - quem, lembremos, reivindica o papel superior dos maus, os únicos capazes da força da transformação! - é uma tentativa riscada de se internar na anulação do circuito distributivo da bondade. O bem que distribui "bens", circuito do "dom" que nos mantém presos à devolução. Dívida ainda mais perversa se consideramos que o sujeito credor, neste caso, é qualquer, ou, o que vem a ser o mesmo, todos. Devemos o bem a todos, por isso o fazemos cegos sem olhar a quem fazemos. Paradoxalmente, parece muito com essas frases de boa vontade expressadas nos calendários de crianças. Ay, meu deus! quantos calendários desses eu guardava dentre minhas anotações de adolescência. Os filósofos antes da revelação da verdade acostumam ser padres (aff!), ou, tem outros piores, se dedicam às artes edificantes da bondade e colecionam frases bondosas em fichinhas cor de rosa. 
 
No entanto, Marchant sugere a presença de um bem que seria feito sem querer, o bem inesperado não pelo acaso da cegueira distributiva, senão pelo acaso intencional. Fazer o bem sem intenção de fazer o bem. Fazer o bem sem fazer o bem. Fazer o bem próprio de uma flor à beira da senda que se dá cheia de perfumes. Se dá sem decidir, se dá porque faz parte da sua natureza se dar. Marchant coloca em jogo uma possível, inesperada, hipotética, alternativa à mulher-mãe. A mulher-mãe da-se completamente, mas garante a recuperação de tudo o que entrega. A mulher-mãe espera pelo filho no leito de morte. Ela é a amante transfigurada porque eles, filhos ingênuos, nunca fogem do colo materno. Lendo a poesia de Gabriela Mistral, Marchant organiza essas dimensões sobre a figura da árvore. Galhos bem organizados aos quais manter-se agarrado, ligado, colado. Nunca saímos do colo materno, o procuramos nas amantes da série, e vimos encontrá-lo ao momento de morrer, no leito materno de volta. 

Mas...

Haveria a possibilidade de surgirmos para além dessas árvores? E as flores da senda, as flores que, sem querer, vão e voltam? Soledad Sola, Solidão só, o nome que Marchant dá a uma dessas flores que, de certo, deu de seus melhores perfumes ao escritor, sem querer, como por acaso, alguma noite aleatória. Nada do que se prender, nada de colo, nada de galhos, nada de árvores. Apenas um bem por acaso. Um bem deslocado do circuito da bondade. Um bem que só os maus - uma mulher tão má que não consegue ser mãe do seu amante! - seriam capazes de dar, e que deram porque não era para dar. Deram, também, por acaso.  



[Pintura: Renoir, Sendeiro del jardín de Giverny, 1900]


julho 08, 2016

Rascunhos II. Amor absoluto



DESOLACIÓN QUATRO
- tu prestado nombre Cecília
(p. 314, n. 22)
22. Onto-foto-logía del Gato Negro:
“Recorro las fotos de las mujeres que verdaderamente he amado en mi vida. Busco el rasgo común, la razón de la serie. Todas ellas tienen en común esto: sus ojos reflejaban, eran, los ojos de mi amor absoluto, de mi vida, los ojos, puros como la muerte de Matías."

[Imagem: Irene (Soledad Villamil) em El secreto de sus ojos, 2009]

[Pensar a questão do amor absoluto em Marchant: Amor de la foto (in Escritura y temblor). Mas se toda declaração de amor (meu amor...) é uma afirmação da imanência do amor, qual o estatuto desse amor?]

julho 06, 2016

Rascunhos I. Notas sobre el indigno



CON TODO - NOTAS SOBRE EL INDIGNO
(Sobre árboles y madres, pp. 289-290)
Pero, como la otra posibilidad, la traición necesaria, necesidad de meditar este admirable verso de Gonzalo Muñoz: “Guardo tus palabras sin oírlas”. Esto es: guardo, conservo, lo que me dices, ésas tus palabras que no puedo obedecer, responder a ellas, ahora; para, algún día, después, contigo o, especialmente sin ti, en tus palabras, oírte, obedecerte, aceptar amar, después, tu amor que ahora, sin siquiera poder pedirte perdón, traiciono" 
[...] 
– Amor gratuito: sólo a un indigno se le ocurriría decir: me ama, pero es enteramente “patológico” (en sentido kantiano o “sicoanalítico”) su amor.
– Pero ¿existe, en realidad, el amor gratuito, amor que, primera condición, viendo eso poco, esa “nada” que el otro es, en casos que están lejos de ser raros o, en todo caso, esa “nada” que acompaña incluso a seres de valor excepcional, lo ama de todos modos y, segunda condición, lo ama sin esperar nada? Si propio de Dios es amar toda creatura, sin embargo, Dios espera, su faltar la segunda condición, ser a su vez, amado. Y si deseos de saber de un Dios que amara sin esperar nada, ese Dios es Cristo, Cristo vencido, palabras de Judas (pág. 247); se comprende, entonces, el odio universal de los buenos hacia Judas.

[Fresco: Gospel of Judas: the Kiss of Peace, séc. XIV]

maio 21, 2016

   Criar um blog acreditando que não iria falar de você. Sempre criamos coisas acreditando. Sempre irei acreditar... E aí acontece que abro as caixas onde estão as linhas, as agulhas e as lembranças voltam, caem algumas lágrimas, me entrego ao pranto que há alguns anos me visita em silêncio. Antes era o Fado, mas meu Destino encontrou-se (confundiu-se) nos mares do Atlântico e agora fala português. Hoje te lembro nas letras de Lucybell. 

    Esse cabelo cacheado e a capacidade de flertar com Lúcifer e seu jogo de luzes. Nunca falamos sobre isso. Nos limitamos a queimar nossa poesia e a ouvir, as vezes, poucas vezes, algumas músicas. Alter ego (desejo desses cabelos cacheados [nossa, agora todos temos cabelos cacheados!]) que transforma traços dessa (qual de todas?) poética em ritmos por todos conhecidos, por ninguém questionados, por ninguém compreendidos. 

Eis a letra:

Sin tu voz me pierdo en la nieve
Sin tu voz me visto de pena
Sin tu voz caliento cual piedra
Sin tu voz me pierdo en la nieve

Siempre he de creer en ti

Sin tu voz soy solo cadenas
Sin tu voz me visto de pena
Sin tu voz detesto esta escena
Sin tu voz soy sólo cadenas

Siempre he de creer en ti

Siempre he de creer en ti
Siempre he de creer en ti


   Essa poética. Marchant insistindo em cada palavra escrita, em cada lapsus, capturando minha errância recente. Me pergunto como Claudio Valenzuela transforma, reitera ou copia Gabriela Mistral. Como esta neve pode ser o silencioso olhar de Deus (Marchant. Sobre árboles y madres, p. 278). Não o êxtase que a identifica, a ela, com a neve, senão o olhar de Deus. O juízo de Deus que, como a neve, congela e traz o espasmo, a culpa, inevitável (Claudia, por que te obriguei a ir embora?, Cl1-Cl2, p. 63). Entretanto, tua voz que sempre me salva volta para me fazer acreditar. No quê? Em o que iria acreditar agora? Sei lá. Há um saber que não posso ter, não sou a árvore que se sabe flor.

   Tua voz, doce como a neve que cai, enquanto cai (distinção de Marchant entre as duas formas da neve). Depois, só a morte, o acúmulo que vira pedras. "... caliento cual piedra" porque no caliento, porque me he transformado en la imagen congelada (de) por la mirada de Dios (Medusa, qué haces aquí?).

    E a cena. Cena que odeio, cena que me constitui, no entanto. Qual cena? Ainda não sei, só sei que sempre hei de crer em você, que sempre irei acreditar...      

[Pintura: Gustav Klimt. Golden Tears


PS: Hipótese: a cena é abrir as caixas. Após a mudança de canto, de casa, de mulher, sempre chega o momento de abrir as caixas

PS2: Maravilhoso conceito de poesia em Abraham e Marchant. Estudar esse conceito (,é) preciso

março 04, 2016

Marchant-rascunhos: de Gonzalo Muñoz até Ferenczi


 
Sempre achei engraçado o termo "rascunho". Lembra o termo "rasguñar" do espanhol e que se traduze mais adequadamente por "arranhar". Só agora que acabo de saber que, em certa medida, "rasguñar" também significa em espanhol a preparação de um esboço. Em fim, detalhes...

Preparando um artigo sobre Marchant (¡que no se enteren en Chile, por favor, Santa María de Mistral, te lo ruego!) rabisquei, sublinhei e selecionei certas passagens. Eis aqui uma amostra do que me interpelou mais profundamente. 


CON TODO - NOTAS SOBRE EL INDIGNO
(pp. 289-290)
"Pero, como la otra posibilidad, la traición necesaria, necesidad de meditar este admirable verso de Gonzalo Muñoz: “Guardo tus palabras sin oírlas”. Esto es: guardo, conservo, lo que me dices, ésas tus palabras que no puedo obedecer, responder a ellas, ahora; para, algún día, después, contigo o, especialmente sin ti, en tus palabras, oírte, obedecerte, aceptar amar, después, tu amor que ahora, sin siquiera poder pedirte perdón, traiciono" 
[...] 
– Amor gratuito: sólo a un indigno se le ocurriría decir: me ama, pero es enteramente “patológico” (en sentido kantiano o “sicoanalítico”) su amor.
– Pero ¿existe, en realidad, el amor gratuito, amor que, primera condición, viendo eso poco, esa “nada” que el otro es, en casos que están lejos de ser raros o, en todo caso, esa “nada” que acompaña incluso a seres de valor excepcional, lo ama de todos modos y, segunda condición, lo ama sin esperar nada? Si propio de Dios es amar toda creatura, sin embargo, Dios espera, su faltar la segunda condición, ser a su vez, amado. Y si deseos de saber de un Dios que amara sin esperar nada, ese Dios es Cristo, Cristo vencido, palabras de Judas (pág. 247); se comprende, entonces, el odio universal de los buenos hacia Judas." 


DESOLACIÓN QUATRO
- tu prestado nombre Cecília
(p. 314, n. 22)
22. Onto-foto-logía del Gato Negro:
“Recorro las fotos de las mujeres que verdaderamente he amado en mi vida. Busco el rasgo común, la razón de la serie. Todas ellas tienen en común esto: sus ojos reflejaban, eran, los ojos de mi amor absoluto, de mi vida, los ojos, puros como la muerte de Matías."
[Amor de la foto, Destino tú que eres la excepción a toda mi serie proustiana, ¿cuál es tu foto,  cuál tu nombre, dime?]
 
DESOLACIÓN CINCO
- último nombre -
Prestado tu nombre, prestado tu tiempo; aquí escribo el fin del plazo, del contrato, de ese préstamo: prestada lealtad, escritura, después –Cecilia. [...] Al día siguiente, encuentro inesperado, tantos meses después, con Soledad Sola; su alegría, profecía sobre ella que vi cumplida –que a veces uno también hace el bien, incluso sin quererlo.
[¿Soledad Sola, tú, que eres la única flor has de salvarme de volver a los nombres de la serie, Destino y serie?] 

 

APÉNDICE SEGUNDO
EL DOBLE RITMO
(p. 338) 
Recuérdese la teoría de Ferenczi. En el acto sexual, el hombre, idéntico a su sexo, él es su sexo, se introduce en la mujer; generosidad de la mujer, sin su consentimiento no hay acto sexual, insistencia de Groddeck que señalamos; la mujer, entonces, le da, al hombre, la erección, la erección adecuada; esto es, la mujer enamorada siente la erección del hombre como erección para ella. En el acto sexual, entonces, el yo del hombre, su alma, su espíritu, su consciencia se siente orgánicamente, es orgánicamente, su yo es un cuerpo, y necesidad profunda del hombre de sentir asegurado así su ser.
[Pero quién es flor que me hizo (tragedia del pretérito) florecer? ¿No eras tú, Destino?][Patricio, ¿o que aconteceu? ¿Cadê o interesse pelas amantes-mães que iriam cuidar (vigiar na vigília) do teu sono? ¿Agora deixas Hermann e voltas a Ferenczi? ¿As flores te lembraram que há vida para além desse leito de morte onde tuas amantes te protegem, enquanto dormes, dos teus pesadelos?]

APÉNDICE TERCERO 
LA HERMANA, I 1983-1984 
(p. 344, la cita que incluyo a continuación excede la cita de Marchant. En negrita su selección)
"Se repetía: <<Detalle de pared amarilla con marquesina, detalle de pared amarilla>>. Y se derrumbó en un canapé circular; de la misma súbita manera dejó de pensar que estaba en juego su vida y, recobrando el optimismo, se dijo: <<Es una simple indigestión por esas patatas que no estaban bastante cocidas, no es nada>>. Sufrió otro golpe que le derribó, rodó del canapé al suelo, acudieron todos los visitantes y los guardianes. Estaba muerto. ¿Muerto para siempre? ¿Quién puede decirlo? Desde luego los experimentos espiritistas no aportan la prueba de que el alma subsista, como tampoco la aportan los dogmas religiosos. Lo que puede decirse es que en nuestra vida ocurre todo como si entráramos en ella con la carga de obligaciones contraídas en una vida anterior; en nuestras condiciones de vida en estas tierra no hay ninguna razón para que nos creamos obligados a hacer el bien, a ser delicados, incluso a ser corteses, ni para que el artista ateo se crea obligado a volver a empezar veinte veces un pasaje para suscitar una admiración que importará poco a su cuerpo comido por los gusanos, como el detalle de pared amarilla que con tanta ciencia y tanto refinamiento pintó un artista desconocido para siempre, identificado apenas bajo el nombre de Ver Meer. Todas estas obligaciones que no tienen su sanción en la vida presente parecen pertenecer a otro mundo, a un mundo fundado en la bondad, en el escrúpulo en el sacrificio, a un mundo por completo diferente de éste y del que salimos para nacer en esta tierra, antes quizá de retornar a vivir bajo el imperio de esas leyes desconocidas a las que hemos obedecido porque llevábamos su enseñanza en nosotros, sin saber quién las había dictado -esas leyes a las que nos acerca todo trabajo profundo de la inteligencia y qué sólo son invisibles (¡y ni siquiera!) para los tontos-. De suerte que la idea de que Bergotte no había muerto para siempre no es inverosímil.
Le enterraron, pero durante toda la noche fúnebre sus libros, dispuestos de tres en tres en vitrinas iluminadas, velaban como los ángeles con las alas desplegadas y parecían, para el que ya no era, el símbolo de su resurrección." (Proust, La prisionera)
[Interesante: la cita en su 'totalidad' incluye una imagen de muerte y resurección, motivo fundamental del libro de Marchant]
APÉNDICE TERCERO 
LA HERMANA, II 1984 
(p. 350)
"Amo tu brotar, tu florecer. Pero, salvo breves momentos –que han sido, sin embargo, grandes momentos– siempre has permanecido –y, sin duda, siempre permanecerás– ajena a mí. Ajena. Siento la tentación de escribir: ajena como si toda la fuerza de la palabra “ajena” hubiera sido inventada únicamente para designarte a ti en relación a mí. Sin embargo: aunque ajena, basta que aparezcas para que me sienta obligado a cumplir con esa exigencia, esa felicidad: escribirte. Obligado a escribir siempre una “marcha”, un “paso”, el eco de una voz, tu voz. Así, siempre: ajena-cercana, Ent-fernung, nuestra Ent-fernung, la Ent-fernung. Y siento que he comenzado a amar –ese amor que me das de las palabras– esa palabra que he repetido al escribirte estas líneas: “siempre”. Siempre, tú, ajena-cercana a mí – como una flor que florece allí."
[Sin duda, Destino, me has hecho florecer. Estarías tan feliz al ver que me atrevo a escribir(te) estas líneas]
[Pero, Soledad Sola, flor del sendero que me enseñas a apreciar el humo del cigarro como la bruma matinal que bendice los campos, ¿por qué ese nombre tan pesado, ese préstamo (de nombre) tan cruel? Sólo una especulación muy profunda podría aclarar los malos entendidos (entender 'en el fondo' Sobre árboles y madres entero) y ¿cómo te coloco al borde del camino, leve y floreciente, sin colocar cientos de monedas (especulación) a tus espaldas?][Culpable por llamarte Soledad Sola]

LA CRUZ DE BISTOLFI
Gabriela Mistral 
Cruz que ninguno mira y que todos sentimos,
la invisible y la cierta como una ancha montaña [Andes]:
dormimos sobre ti y sobre ti vivimos;

tus dos brazos nos mecen [terremotos] y tu sombra nos baña [relación con el mar?].
El amor nos fingió un lecho, pero era
sólo tu garfio vivo y tu leño desnudo.
Creímos que corríamos libres por las praderas
y nunca descendimos de tu apretado nudo.
De toda sangre humana fresco está tu madero,
y sobre ti yo aspiro las llagas de mi padre,
y en el clavo de ensueño que lo llagó, me muero.
¡Mentira que hemos visto las noches y los días!
Estuvimos prendidos, como el hijo a la madre,
a ti, del primer llanto a la última agonía [Madre-muerte]
[¿Por qué, Patricio, te niegas a conceder importancia a la Patagonia geográfica, si al mismo tiempo das un lugar fundamental a la Cordillera geológica? ¿La diferencia de niveles es diferencia de naturaleza? ¿Menos digna la Patagonia que la Cordillera? Llanura que cambia la sombra por frío ¿no merece un lugar relevante en la cartografía mistraliana y sus cruxificciones? Quisiera que esta fuese la foto que te saco].

[Fotografia: Leonardo Bistolfi, La Croce (flikr de Xavier de Jauréguiberry)]

fevereiro 20, 2016

Soledad Sola

 

Flor ímpar que falas sobre a ausência de árvores e sobre o vento do sendero (vide Marchant apud Mistral). Ar fresco, ressoar das flores, Senhor(a) da leveza. Eis teu nome, emprestado nome, leito de vida (quem diz que Ofelia morreu?), rio que banhas as flores, todas as flores. Contrato de alegria e do bem que se faz sem querer, ou seja, condição de possibilidade do pensar, necessariamente, da festa do pensar (genitivo subjetivo, Holzapfel dixit!)... en fevereiro carnaval do pensar?

"Al día siguiente, encuentro inesperado, tantos meses después, con Soledad Sola; su alegría, profecía sobre ella que vi cumplida - que a veces uno también hace el bien, incluso sin quererlo" (P.M, p. 321).

[Pintura: Ophelie, John Everett Millais robou a modelo e os traços de Dante Gabriel Rossetti].

 

 
Notas metodológicas. Cuestión fundamental en juego: la fiesta del pensar, Holzafel, la amiga-flor (y nuestros contratos), doravante Soledad Sola, y la máscara ('a mais cara') de Marchant, quien presta un nombre poco casual a un encuentro casual, Soledad que estás Sola, desolación ausente en Desolación. Soledad que estás Sola allá en los cielos (nunca aqui en la tierra), santificado sea tu nombre... ver el juego de Marchant con el Gato Murr. Parece que reza una oración cuando se refiere a él. Creo, en este sentido, que las oraciones (declaraciones de fe, como la fe de erratas, "unica fe que nos va quedando" (P.M., p. 61, 179) son fundamentales para el desarrollo e Sobre árboles y madres.

fevereiro 10, 2016

Nosotros, los malos...

 

"La economía de toda la transformación, esa secreta fuerza que permitirá el encuentro de miradas, pensamiento de Dios que será, ha permanecido y permanecerá oculta para el entender de los buenos, que sólo nosotros, los malos, podemos, de esa fuerza, ser entendimiento y amor..."


Marchant, Sobre árboles y madres, p. 282 (La Cebra)

[Fotografía: Fragmento de un trabajo de Paula Bravo Marchant]


fevereiro 05, 2016

Guardo tus palabras sin oírlas...

 
 
Ficaste contente ao ver esse produto no banheiro, falaste do blog que eu tinha que criar para ensinar aos homens tratarem às mulheres. Tentei te contar que já tinha criado, que queria te mostrar. Mas não querias te decepcionar, não querias ver um blog incapaz de ensinar aos homens. Absolutamente ignorante em assuntos edificantes. Riste sem me ouvir e continuaste com esse gargalhar ansioso de felicidade por achar esse trem no banheiro. Trocaste minha poesia por produtos de beleza. Não querias saber desta, minha outra vaidade. Entretanto, eu continuo a ler Epicteto e Marco Aurélio para aprender a ser todo um homem.

[Frase do título: Gonzalo Muñoz, apud P.M., p.289]
[Imagem: Roy Lichtenstein. Mujer en el baño