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setembro 21, 2024

Emily




Paul Desmond, Emily (extended)


Emily

É primavera, my lady

Oh pássaros, em abundância 
Oh tom perfeito do verde nas árvores 
As flores nos vestidos e parques
Lembram que é primavera.

E você, Emily, tão longe.
Se evaporando em cada nota do saxofone. 

Teus olhos diziam a cor das rosas.
Pronunciavam a brevidade da vida, que, 
como as pétalas da flor, 
e, como o vermelho dos teus lábios,
cai e desmancha.

Teu perfil enigmático por trás da fumaça. 
Lento e se prolongando em cada nota. 
Era tênue como o nascer da lua, que
refletia pequenas lembranças sobre a tela frágil,
das superfícies,
da memória. 



[Fotografia: Paul Desmond]
[Publicado em retrospectiva especular entre 2016 e 2024]




outubro 06, 2016

As três rosas




Juntos víamos as três rosas
colorir, florescer.

Perto do prédio onde dormias,
e sonhavas com grandes impérios, invasões e morte,
também, soubeste da vida.

Vênus, tecias minhas veias com estrepitosa velocidade!
Exercitavas inaudita alquimia no meu coração!

Meus olhos conheceram, junto a ti, os segredos segundos do amanhecer.
A lua refletindo nas águas.
O reverbero do silêncio.

Meu coração vibra do rugido de mil exércitos.
Conhece o tecido arbitrário da história.
Sabe dos cantos segredos que escondem as construções do tempo.

Infinitas vezes irá pular por essa janela.
Abrir-se-á ao vento e à luz, às tuas nuvens.

À beira do seu caminho estão cansados os homens.
À escuta das suas palavras abdicaram os imperadores.

Vênus, penso nas três rosas.
Na sua estranha geografia,
nas paragens que as esperam para florescer,
de novo.


[Brouillon du printemps, 2016]
[Fotografia: Impressive Conceptual Self Portraits by Cansu Özkaraca]