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novembro 10, 2021

Amour, je promets...



E eu que queria ser um eterno recém-nascido... eterno devorado(r) como o Saturno (ou Saturn's sun?) de Rubens. 
"Prometer continuar apaixonado é se contradizer nos termos. Seria como prometer que teremos sempre febre, ou que seremos sempre loucos. Todo amor que se compromete, no que quer que seja, deve empenhar outra coisa que não a paixão" 
"Primeiro amamos apenas a nós mesmos: o amante se lança sobre a amada como o recém- nascido sobre o peito, como o lobo sobre o cordeiro. Falta: concupiscência. A fome é um desejo; o desejo, uma fome. É o amor que toma, o amor que devora. Eros: egoísmo. Depois, aprendemos (na família, no casal) a amar um pouco o outro por ele mesmo também: alegria, amizade, benevolência. É passar do amor carnal, como diz são Bernardo, ao amor espiritual, do amor a si ao amor ao outro, do amor que toma ao amor que dá, da concupiscência à benevolência, da falta à alegria, da violência à doçura – de erôs a philia"

[Rubens, Saturno (1636)]
[André Comte-Sponville. O pequeno tratado das grandes virtudes]

setembro 30, 2016

Palabras serenas




Palabras serenas

Ya en la mitad de mis días espigo 
esta verdad con frescura de flor: 
la vida es oro y dulzura de trigo, 
es breve el odio e inmenso el amor. 

Mudemos ya por el verso sonriente 
aquel listado de sangre con hiel. 
Abren violetas divinas, y el viento 
desprende al valle un aliento de miel. 

Ahora no sólo comprendo al que reza; 
ahora comprendo al que rompe a cantar. 
La sed es larga, la cuesta es aviesa; 
pero en un lirio se enreda el mirar. 

Grávidos van nuestros ojos de llanto 
y un arroyuelo nos hace sonreír; 
por una alondra que erige su canto 
nos olvidamos que es duro morir. 

No hay nada ya que mis carnes taladre. 
Con el amor acabóse el hervir. 
Aún me apacienta el mirar de mi madre. 
¡Siento que Dios me va haciendo dormir!



[Gabriela Mistral, Palabras serenas in Desolación, 1923]

setembro 16, 2016

Amor de arqueiro




"Me matou em outra vida, amor?" perguntou ela.

Sabia dos pesadelos,
dos mortos de cada noite
do rosto difuso e desconhecido
do último respiro, suspiro
das vítimas.

"Apenas uma vez trucidei alguém, as outras só atirei neles"

Qual essa poesia?
Por que esses corpos nas tuas mãos e olhos?
Exatamente onde atiravas, Cneo?

Em fuga, sempre,
aprendestes a arte de atirar em movimento.

Por isso.
Não conheces o rosto
de tuas vítimas.

Mas
O que tem a fazer um pobre homem face à uma mulher genial?

Ela, o olhar.
Ela tem rosto
É o arquetipo de qualquer rosto.

Olhar, colo, um coração a palpitar.
E uma pergunta.
Pergunta de amor, pergunta de medo, pergunta de ódio.

Matei-te em outra vida, por isso,
Agora es minha mãe.
Castigo, ameaça, um rosto e um olhar.

E um coração a palpitar

Amo-te de amor de arqueiro.
Hei de atirar no teu coração.
Como já fiz em outra vida
Farei pela eternidade
de novo.

Hermann queimava suas mães.
Eu atiro nelas.

Medo?
De quê?
Tenho em mãos um segredo.

Mesmo perdido, aguardo
Paciente

Tenho um segredo, um arma.
Um método.
Só atiro uma vez.
Uma vez que se repete pela eternidade.

Amei-te com amor de arqueiro.

Mas
O que tem a fazer um pobre homem face à uma mulher genial?*

Olhaste primeiro.
Prometeste colo e cuidados.



[Fotografia: Alex Bowle, Women of the IRA, Northern Ireland, 1977]
* A frase se inspira no artigo "Qué puede hacer un pobre hombre frente a una mujer genial?", que Patricio Marchant dedica a Gabriela Mistral.

agosto 08, 2016

Marchant. Rascunhos IV. Exceção erguida


APÉNDICE SEGUNDO
EL DOBLE RITMO
(p. 338) 
Recuérdese la teoría de Ferenczi. En el acto sexual, el hombre, idéntico a su sexo, él es su sexo, se introduce en la mujer; generosidad de la mujer, sin su consentimiento no hay acto sexual, insistencia de Groddeck que señalamos; la mujer, entonces, le da, al hombre, la erección, la erección adecuada; esto es, la mujer enamorada siente la erección del hombre como erección para ella. En el acto sexual, entonces, el yo del hombre, su alma, su espíritu, su consciencia se siente orgánicamente, es orgánicamente, su yo es un cuerpo, y necesidad profunda del hombre de sentir asegurado así su ser.
[Patricio, ¿o que aconteceu? ¿Cadê o interesse pelas amantes-mães que iriam cuidar (vigiar na vigília) do teu sono? ¿Agora deixas Hermann e voltas a Ferenczi? ¿As flores te lembraram que há vida para além desse leito de morte onde tuas amantes (ou seja, tuas mães) te protegem, enquanto dormes, dos teus pesadelos?]
Acredito que na lógica de constituição de Sobre árboles y madres, este apêndice tem um papel crítico relevante. Não sei se daria para sustentar uma exceção, um território desconhecido para a teoria do amor da mãe, mas o seguimento cuidadoso do ato sexual parece ameaçar o protagonismo, quase absoluto, atribuído às instâncias post-coitais dentro dessa teoria. O que interessa do amor da mãe-amante é que ela é leito para o homem. Ela, com efeito, ao se oferecer às artes amatórias, se oferece também como colo onde descansar e dormir e, dessa maneira, se oferece como leito arquetípico, ou seja, como leito de morte. Daí sua leitura dos Sonetos de morte de Gabriela Mistral. Entretanto, este apêndice dedicado fundamentalmente a Ferenczi tematiza o que justamente esse leito colocava entre parêntesis: a ereção. O descanso após o coito pressupõe uma suspensão, um parêntese, ou qualquer outra forma (inclusive, as mais definitivas) de negação da ereção. E, no entanto, aqui vemos a um Marchant que dedica uma ode aos desdobramentos orgânicos do homem no ato sexual. Possibilidade de um amor sem mães? Quem sabe. Apesar do papel hegemônico que ocupa essa forma do amor, há exceções notáveis no seu breve percurso escritural. Até onde minha vista me acompanha, podemos elencar algumas: as flores à beira das sendas [pergunto: será que elas são o "modelo" da generosidade? casualidade interessante, pois as flores à beira do caminho fazem o bem sem querer, ou seja, por pura e simples generosidade] e as alunas [Angélica, modelo de um amor que se faz sem a mãe e que, assim, permitiria abrir as criptas, modelo do segredo de mães guardado no leito definitivo]. 


julho 08, 2016

Rascunhos II. Amor absoluto



DESOLACIÓN QUATRO
- tu prestado nombre Cecília
(p. 314, n. 22)
22. Onto-foto-logía del Gato Negro:
“Recorro las fotos de las mujeres que verdaderamente he amado en mi vida. Busco el rasgo común, la razón de la serie. Todas ellas tienen en común esto: sus ojos reflejaban, eran, los ojos de mi amor absoluto, de mi vida, los ojos, puros como la muerte de Matías."

[Imagem: Irene (Soledad Villamil) em El secreto de sus ojos, 2009]

[Pensar a questão do amor absoluto em Marchant: Amor de la foto (in Escritura y temblor). Mas se toda declaração de amor (meu amor...) é uma afirmação da imanência do amor, qual o estatuto desse amor?]

julho 06, 2016

Rascunhos I. Notas sobre el indigno



CON TODO - NOTAS SOBRE EL INDIGNO
(Sobre árboles y madres, pp. 289-290)
Pero, como la otra posibilidad, la traición necesaria, necesidad de meditar este admirable verso de Gonzalo Muñoz: “Guardo tus palabras sin oírlas”. Esto es: guardo, conservo, lo que me dices, ésas tus palabras que no puedo obedecer, responder a ellas, ahora; para, algún día, después, contigo o, especialmente sin ti, en tus palabras, oírte, obedecerte, aceptar amar, después, tu amor que ahora, sin siquiera poder pedirte perdón, traiciono" 
[...] 
– Amor gratuito: sólo a un indigno se le ocurriría decir: me ama, pero es enteramente “patológico” (en sentido kantiano o “sicoanalítico”) su amor.
– Pero ¿existe, en realidad, el amor gratuito, amor que, primera condición, viendo eso poco, esa “nada” que el otro es, en casos que están lejos de ser raros o, en todo caso, esa “nada” que acompaña incluso a seres de valor excepcional, lo ama de todos modos y, segunda condición, lo ama sin esperar nada? Si propio de Dios es amar toda creatura, sin embargo, Dios espera, su faltar la segunda condición, ser a su vez, amado. Y si deseos de saber de un Dios que amara sin esperar nada, ese Dios es Cristo, Cristo vencido, palabras de Judas (pág. 247); se comprende, entonces, el odio universal de los buenos hacia Judas.

[Fresco: Gospel of Judas: the Kiss of Peace, séc. XIV]