fevereiro 20, 2016

Um canto


Um canto, meu canto. Um canto é como uma vida (Deleuze dixit), singularidade que se abre ao horizonte. Há dois anos e meio me lembro 'desterritorializado' num leito de belas, tristes e trágicas lembranças declarando que não sabia, que não queria, que apenas compreendia o que essa palavra significava. Pois é, canto significa lar (juro que, dessa vez, não consultei o Priberam), lugar onde se encontrar, casa. Quando dizemos "minha casa" com referência à casa dos pais, dos avós ou mesmo à casa de infância que provavelmente não existe mais, estamos querendo dizer que há uma esquina, uma dobra no espaço que nos acolhe, que transfora as imagens do universo em afetos de alguém, para alguém. 

Relação dos objetos da foto (leia-se inventário): à esquerda móvel para a T.V. que graças a Deus e a Nossa Senhora não existe nesta "casa" (rs), prateleira (emfim!!) para a biblioteca que deixou de ser itinerante há pouco tempo, estante preta para coisas diversas, suporte para livros em posição diagonal, sofá (onde iria Marcel tramar suas perversões e se lembrar de Albertine?, vide imagem à direita de Proust), uma almofada. E o que não está na foto: eu na minha escrivaninha descrevendo coisas para o blog e preenchendo formulários ad infinitum para projetos que nunca irão ser financiados. Por último, todos os móveis e pessoas (?) incluidas nesta classificação. Dito de outra foma: o não-lugar que ameaça e movimenta todo lugar (Foucault apud Borges, em As palavras e as coisas).          

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