outubro 06, 2016

As três rosas




Juntos víamos as três rosas
colorir, florescer.

Perto do prédio onde dormias,
e sonhavas com grandes impérios, invasões e morte,
também, soubeste da vida.

Vênus, tecias minhas veias com estrepitosa velocidade!
Exercitavas inaudita alquimia no meu coração!

Meus olhos conheceram, junto a ti, os segredos segundos do amanhecer.
A lua refletindo nas águas.
O reverbero do silêncio.

Meu coração vibra do rugido de mil exércitos.
Conhece o tecido arbitrário da história.
Sabe dos cantos segredos que escondem as construções do tempo.

Infinitas vezes irá pular por essa janela.
Abrir-se-á ao vento e à luz, às tuas nuvens.

À beira do seu caminho estão cansados os homens.
À escuta das suas palavras abdicaram os imperadores.

Vênus, penso nas três rosas.
Na sua estranha geografia,
nas paragens que as esperam para florescer,
de novo.


[Brouillon du printemps, 2016]
[Fotografia: Impressive Conceptual Self Portraits by Cansu Özkaraca]

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