outubro 23, 2016

De chegada...


 

Chegar onde não se chega,
estar sempre de passagem.

Chegar onde nada espera,
perto do caminho.
Olhar para a linha infinita da sombra,
ver o vazio da espera.

Chegar onde não se acaba de chegar.

As ondas do mar arrastam meu corpo até suas profundezas,
morro afogado buscando horizontes,
onde não irei chegar.

A luz se extingue
cego e sem ar,
não te vejo mais, Estela.



[Brouillon du printemps - Serie borgeana, 2016]

[Fotografia: Vivian Maier, Self-Protrait, 1956]


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