setembro 17, 2019

Os buracos dos olhos

  
Tempo, que escorres entre as pedras do jardim. 
As árvores dizem que voltas. 

Voltas cada manhã, te afundas com cada chuva. 
E em cada noite decretas tua reinvenção. 

Tempo, que escorres entre as pedras do rio. 
Os peixes dizem que te perdes sem jamais te extinguir.

E que nunca deixas de chegar. 
Por isso, correntezas. 

Tempo, que escorres nos buracos singelos 
dos olhos, 
dos nossos mortos.

 Pintura: Picasso. La comida del ciego, 1903 

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